Dois fortes terremotos deixaram centenas de mortos, milhares de feridos e provocaram o colapso de edifícios. Especialistas apontam que a localização da Venezuela sobre a placa do Caribe e a baixa profundidade dos tremores ampliaram os impactos da tragédia.
A Venezuela enfrenta uma das maiores tragédias naturais de sua história recente após ser atingida por dois fortes terremotos na quarta-feira (24). Até esta sexta-feira (26), as autoridades confirmaram pelo menos 920 mortes e mais de 3 mil feridos, enquanto equipes de resgate seguem procurando sobreviventes entre os escombros.
De acordo com o analista de clima e meio ambiente Pedro Côrtes, os tremores registrados são considerados incomuns para o país. Segundo ele, fazia aproximadamente um século que a Venezuela não enfrentava um terremoto de intensidade semelhante.
A explicação para a força dos terremotos está na posição geográfica da Venezuela. O país está localizado sobre a placa tectônica do Caribe, uma estrutura considerada pequena, mas extremamente complexa do ponto de vista geológico.
Essa placa sofre pressão constante de outras placas tectônicas, como a Norte-Americana, a Sul-Americana e a dos Cocos. Esse encontro de forças favorece o acúmulo de energia que, quando liberada, provoca terremotos de grande intensidade.
Outro fator decisivo foi a profundidade do epicentro. O primeiro tremor ocorreu a apenas 10 quilômetros de profundidade, sendo classificado como superficial. Segundo especialistas, quanto mais próximo da superfície ocorre o terremoto, menor é a quantidade de rochas capaz de absorver a energia liberada, aumentando significativamente a força das ondas sísmicas que atingem as cidades.
A baixa profundidade dos tremores provocou o desabamento imediato de diversos edifícios, alguns com até 15 andares. Em muitos casos, os moradores não tiveram tempo suficiente para deixar os imóveis antes do colapso das estruturas.
Especialistas alertam que o número de vítimas ainda pode aumentar, principalmente devido às pessoas desaparecidas e ao risco de novos desabamentos.
Outro motivo de preocupação é a possibilidade de réplicas, fenômeno comum após terremotos de grande magnitude.
Segundo Pedro Côrtes, novas oscilações podem comprometer prédios que já tiveram suas estruturas danificadas, aumentando o risco de novos desmoronamentos e dificultando os trabalhos das equipes de resgate.
A força dos terremotos foi suficiente para que moradores de cidades brasileiras, como Belém (PA) e Manaus (AM), percebessem leves oscilações em edifícios.
Apesar do susto, a Defesa Civil informou que não houve registro de danos estruturais nessas cidades. De acordo com especialistas, a energia das ondas sísmicas chegou bastante reduzida ao território brasileiro.
Além da tragédia humanitária, a Venezuela enfrenta um momento de instabilidade política. Desde janeiro, o país é governado por Delcy Rodríguez, após a captura do então presidente Nicolás Maduro por forças norte-americanas, em uma operação que gerou forte repercussão internacional.
A nova gestão agora enfrenta o desafio de coordenar as operações de resgate e reconstrução em um país que já sofria com dificuldades econômicas, infraestrutura precária e forte polarização política.
Especialistas também esclareceram que os terremotos registrados no mesmo período no Japão e nos Estados Unidos são eventos independentes, sem qualquer ligação geológica com os tremores ocorridos na Venezuela.
As autoridades venezuelanas continuam monitorando o risco de novas réplicas, enquanto equipes de emergência trabalham no resgate de sobreviventes e na assistência às famílias afetadas. A expectativa é que o número de vítimas ainda seja revisado nos próximos dias, à medida que novas informações forem confirmadas.