O Ministério da Saúde deu início, nesta sexta-feira (26), ao primeiro projeto-piloto do Sistema Único de Saúde (SUS) para utilização da semaglutida, princípio ativo das chamadas canetas emagrecedoras, no tratamento de pacientes com obesidade grave. A iniciativa acontece no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre (RS), e atenderá inicialmente 250 pessoas que aguardam na fila pela cirurgia bariátrica.
Batizado de Real-Bari, o estudo tem como objetivo avaliar a eficácia clínica, os custos e a viabilidade da incorporação da medicação à rede pública de saúde. Durante dois anos, os pacientes serão acompanhados por uma equipe multidisciplinar que analisará a perda de peso, a qualidade de vida, os resultados de exames, as condições após procedimentos cirúrgicos e os custos do tratamento.
Os participantes do projeto são pessoas diagnosticadas com obesidade grave que precisam reduzir o peso para realizar a cirurgia bariátrica com mais segurança. Segundo o Grupo Hospitalar Conceição, cerca de 91% dos pacientes com obesidade atendidos pela instituição apresentam obesidade mórbida, mas menos da metade reúne condições clínicas para realizar o procedimento cirúrgico.
Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a iniciativa representa um avanço importante para o tratamento da obesidade no país.
“O Brasil está sendo pioneiro na utilização desse medicamento no sistema público de saúde. Nesse primeiro momento, ela é muito importante para o diabetes e a obesidade, mas pode se estender também a outras doenças crônicas e até mesmo para tratamento de cânceres”, afirmou.
O motorista de aplicativo Guilherme Henrique Panichi, de 39 anos, foi o primeiro paciente a receber a aplicação da semaglutida pelo SUS. Na fila para a cirurgia bariátrica há mais de mil dias, ele realizou a primeira aplicação ao lado do ministro da Saúde.
Animado com o início do tratamento, Guilherme acredita que a medicação poderá transformar sua rotina.
“Vai fazer muita diferença. Acredito que vai me dar muito mais ânimo, mais disposição. Espero poder ficar mais ativo na sociedade”, declarou.
Nesta fase inicial, o estudo contempla apenas pacientes que já são acompanhados pelo Grupo Hospitalar Conceição e que atendam a critérios específicos. Entre eles estão:
Caso os resultados sejam positivos, o Ministério da Saúde poderá utilizar os dados para avaliar a incorporação definitiva da semaglutida ao SUS. A expectativa é que o estudo forneça informações sobre a efetividade do medicamento, o impacto na qualidade de vida dos pacientes e o custo-benefício da terapia para o sistema público de saúde.
A iniciativa coloca o Brasil entre os primeiros países a testar, em larga escala no sistema público, o uso de medicamentos da classe das canetas emagrecedoras como estratégia complementar no tratamento da obesidade grave, doença que afeta milhões de brasileiros e está associada ao aumento do risco de diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares