O Ueno Bank, do Paraguai, financiou o “Hispanic Prosperity Gala”, evento realizado em fevereiro de 2026 no Mar-a-Lago, clube do presidente americano Donald Trump, na Flórida. Entre os palestrantes estava o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. A informação foi publicada pelo UOL e repercutida pelo Blog do Magno.
Segundo o site paraguaio ABC, o banco foi patrocinador da categoria “Diamond”, com cota de US$ 100 mil. Publicações no X sobre o patrocínio e a lista de financiadores no site oficial do evento já não estão disponíveis, mas ainda aparecem no Instagram e no Facebook.
De acordo com o site do evento, também foram palestrantes a ex-candidata peruana Keiko Fujimori, o político americano Robert F. Kennedy Jr. e o ex-jogador Ronaldinho Gaúcho. O presidente da Argentina, Javier Milei, participou por vídeo, sem estar presente.
O argentino Fernando Cerimedo foi premiado como “consultor político hispânico do ano”. Conforme a reportagem, ele mantém uma rede de desinformação ligada ao portal La Derecha Diario, um dos organizadores do encontro.
Em 2022, Cerimedo fez uma transmissão ao vivo com alegações falsas sobre as urnas eletrônicas brasileiras, usada em um relatório do PL que pedia a invalidação de votos. Em 2024, foi indiciado pela Polícia Federal por tentativa de golpe, mas não foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República. Próximo de Eduardo Bolsonaro, ele está preso na Bolívia por suposta tentativa de feminicídio, segundo a matéria.
O patrocínio ganha repercussão porque o Ueno Bank está no centro de uma crise no Paraguai. Segundo o UOL, o Banco Central paraguaio interveio na instituição na segunda-feira, por descumprimento dos requisitos mínimos de solvência. O banco administrava cerca de US$ 850 milhões em fundos públicos.
Cerca de 2,9 milhões de clientes, quase metade dos 6,4 milhões de habitantes do país, ficaram sem acesso aos recursos. Houve filas nas agências e protestos em Assunção. O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, renunciou.
A reportagem também afirma que a crise derrubou o presidente Santiago Peña, que teria sido preso após processo de impeachment. Ele tentou renunciar, mas o Congresso não analisou o pedido por falta de quórum. Peña foi acionista da Ueno Holding até março de 2025. A holding, que tinha o Grupo Vázquez entre os sócios, era a principal acionista do banco.
O caso envolve suspeitas de irregularidades e de ligações com o governo paraguaio.