TCE-PE coloca freio nos gastos com shows e festividades: municípios precisam ter contas em dia antes de contratar grandes cachês

21 de maio de 2026
por Redação Tá Topado

Resolução TC nº 319/2026 estabelece limite de 3% da receita líquida para contratações artísticas e prevê fiscalização automática para quem extrapolar

O Tribunal de Contas de Pernambuco deu um recado claro para os prefeitos do estado: antes de assinar contrato com artista famoso e encher o calendário de festividades, é preciso ter as contas no azul e a transparência em dia. A determinação veio por meio da Resolução TC nº 319/2026, aprovada na sessão do último dia 13 de maio, sob a presidência do conselheiro Carlos Neves.

A resolução funciona como um termômetro fiscal automático. O TCE vai monitorar os gastos de cada município com contratações artísticas ao longo de 12 meses. Se o total ultrapassar 3% da Receita Corrente Líquida, a chamada RCL, que é a base de cálculo do orçamento municipal, o Tribunal emite um alerta formal para o gestor.

E não para por aí. Se, mesmo após o alerta, a prefeitura continuar aumentando os gastos com shows e festas, o TCE abre fiscalização formal para apurar se houve negligência com serviços públicos essenciais ou desequilíbrio nas contas. Os gestores envolvidos podem responder por infração às normas de gestão fiscal.

O que mais a resolução determina

Além do limite percentual, a resolução traz uma série de exigências que mudam a lógica das contratações culturais nos municípios pernambucanos:

Os contratos com artistas ficam proibidos de incluir cláusulas de promoção pessoal de autoridades durante o show, ou seja, acabou o microfone sendo usado para puxar palanque no meio da apresentação.

Também está proibida a carta de exclusividade restrita a um único evento, prática que costuma inflar artificialmente o valor dos cachês, nos termos do artigo 74 da Lei 14.133/2021.

As notas de empenho, os documentos que registram o gasto público, passam a ser obrigadas a informar todos os detalhes: data, hora, local, nome do evento, duração, artista, número do processo e contrato.

E quando o dinheiro para pagar o cachê vier de emenda parlamentar, a rastreabilidade passa a ser obrigatória, cada centavo precisa ser identificado.

Por que essa resolução importa para o interior

A pergunta que o TCE deixou no ar é direta: na sua cidade, a prefeitura gasta quanto em shows e festas?

Para os municípios do Agreste e do Sertão pernambucano, onde o São João movimenta economias locais inteiras, a resolução não é uma proibição de festejar é um critério objetivo para garantir que a festa não venha antes do básico. Saúde, educação e infraestrutura têm prioridade. O forró vem depois.

Com a resolução em vigor, prefeitos que estão devendo transparência ao TCE, como o caso recente do município de Brejão, já sabem que o caminho para garantir uma boa programação cultural começa, obrigatoriamente, com as obrigações fiscais em dia.

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