SUS inicia projeto-piloto com canetas emagrecedoras para pacientes com obesidade grave

26 de junho de 2026
Francisco Neto por Francisco Neto

O Ministério da Saúde deu início, nesta sexta-feira (26), ao primeiro projeto-piloto do Sistema Único de Saúde (SUS) para utilização da semaglutida, princípio ativo das chamadas canetas emagrecedoras, no tratamento de pacientes com obesidade grave. A iniciativa acontece no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre (RS), e atenderá inicialmente 250 pessoas que aguardam na fila pela cirurgia bariátrica.

Batizado de Real-Bari, o estudo tem como objetivo avaliar a eficácia clínica, os custos e a viabilidade da incorporação da medicação à rede pública de saúde. Durante dois anos, os pacientes serão acompanhados por uma equipe multidisciplinar que analisará a perda de peso, a qualidade de vida, os resultados de exames, as condições após procedimentos cirúrgicos e os custos do tratamento.

Objetivo é preparar pacientes para a cirurgia

Os participantes do projeto são pessoas diagnosticadas com obesidade grave que precisam reduzir o peso para realizar a cirurgia bariátrica com mais segurança. Segundo o Grupo Hospitalar Conceição, cerca de 91% dos pacientes com obesidade atendidos pela instituição apresentam obesidade mórbida, mas menos da metade reúne condições clínicas para realizar o procedimento cirúrgico.

Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a iniciativa representa um avanço importante para o tratamento da obesidade no país.

“O Brasil está sendo pioneiro na utilização desse medicamento no sistema público de saúde. Nesse primeiro momento, ela é muito importante para o diabetes e a obesidade, mas pode se estender também a outras doenças crônicas e até mesmo para tratamento de cânceres”, afirmou.

Primeiro paciente recebe a medicação

O motorista de aplicativo Guilherme Henrique Panichi, de 39 anos, foi o primeiro paciente a receber a aplicação da semaglutida pelo SUS. Na fila para a cirurgia bariátrica há mais de mil dias, ele realizou a primeira aplicação ao lado do ministro da Saúde.

Animado com o início do tratamento, Guilherme acredita que a medicação poderá transformar sua rotina.

“Vai fazer muita diferença. Acredito que vai me dar muito mais ânimo, mais disposição. Espero poder ficar mais ativo na sociedade”, declarou.

Quem pode participar da pesquisa

Nesta fase inicial, o estudo contempla apenas pacientes que já são acompanhados pelo Grupo Hospitalar Conceição e que atendam a critérios específicos. Entre eles estão:

  • Diagnóstico de obesidade há pelo menos um ano;
  • Estar na fila para cirurgia bariátrica;
  • Não ter obtido resultados satisfatórios após pelo menos dois meses de tratamento convencional, com dieta e atividade física;
  • Ter condições de aplicar a medicação sozinho ou contar com auxílio de um cuidador.

Possível ampliação no futuro

Caso os resultados sejam positivos, o Ministério da Saúde poderá utilizar os dados para avaliar a incorporação definitiva da semaglutida ao SUS. A expectativa é que o estudo forneça informações sobre a efetividade do medicamento, o impacto na qualidade de vida dos pacientes e o custo-benefício da terapia para o sistema público de saúde.

A iniciativa coloca o Brasil entre os primeiros países a testar, em larga escala no sistema público, o uso de medicamentos da classe das canetas emagrecedoras como estratégia complementar no tratamento da obesidade grave, doença que afeta milhões de brasileiros e está associada ao aumento do risco de diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares

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