Uma percepção comum no Brasil é a de que a riqueza está restrita a grandes empresários e herdeiros. No entanto, dados recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgados pelo IBGE, trazem um choque de realidade: um salário de aproximadamente R$ 5 mil por mês pode ser o suficiente para colocar um trabalhador no grupo dos 10% mais ricos do país.
O levantamento, referente ao ano de 2025, mostra que a pirâmide social brasileira é extremamente achatada na base, fazendo com que rendimentos considerados “classe média” em grandes centros urbanos se destaquem estatisticamente na média nacional.
Embora o rendimento médio mensal do brasileiro tenha atingido o recorde histórico de R$ 3.367 em 2025, a distribuição ainda é marcada por uma distância abismal entre o topo e a base.
A pesquisa aponta que houve uma leve oscilação positiva na desigualdade em 2025. Isso ocorreu porque a renda das camadas mais altas cresceu acima da média nacional (8,7% de alta para os mais ricos, contra 6,9% da média geral).
Atualmente, os 10% mais ricos detêm 40,3% de toda a renda nacional, enquanto os 10% mais pobres concentram apenas 1,2%.
O Centro-Oeste consolidou-se como uma das regiões de maior rendimento, impulsionado pelo Distrito Federal, onde a presença do setor público e de empregadores qualificados eleva a média salarial. Além do trabalho, o aumento nos rendimentos de aplicações financeiras e aluguéis (que cresceram 11,8% no último ano) também favoreceu quem já possui patrimônio acumulado.