Concessão da Compesa libera R$ 1,3 bilhão e anima prefeitos, enquanto cresce temor por aumento nas contas

29 de abril de 2026
Francisco Neto por Francisco Neto

A concessão dos serviços da Compesa avançou mais uma etapa nesta segunda-feira (27), com a assinatura simbólica do contrato e a liberação inicial de R$ 1,3 bilhão para os municípios pernambucanos. O ato ocorreu durante o 9º Congresso da Associação Municipalista de Pernambuco, no Recife.

A governadora Raquel Lyra realizou a entrega simbólica dos cheques aos prefeitos. Os recursos fazem parte da outorga paga pela concessionária BASA Saneamento Ambiental S.A., que assumirá os serviços em 151 municípios da Região Metropolitana, Agreste e parte do Sertão.

A formalização definitiva do contrato está prevista para esta quarta-feira (29).

Bilhões em investimentos e metas ambiciosas

Pelo acordo, a concessionária deverá investir R$ 17,4 bilhões ao longo da concessão, além de pagar uma outorga de R$ 4 bilhões. Desse total, 60% serão quitados no ato da assinatura, enquanto os 40% restantes serão pagos em parcelas ao longo da transição e início da operação.

Outros blocos também compõem o processo:

  • O Bloco 2 prevê outorga de R$ 3,531 bilhões;
  • Já o Bloco 1, voltado ao Sertão, foi firmado com o consórcio Vita Sertão, com outorga de R$ 805,8 milhões para 24 cidades.

O objetivo é ampliar a cobertura de saneamento, com metas de atingir 99% no abastecimento de água e 90% na coleta de esgoto até 2033.

Alívio imediato para prefeituras

Além do impacto estrutural de longo prazo, a concessão representa um reforço imediato no caixa dos municípios, com parte da outorga sendo distribuída diretamente às prefeituras.

Segundo a governadora, a divisão dos recursos foi uma decisão estratégica para fortalecer os municípios.

“Entendemos a importância de os municípios terem recursos para investir”, afirmou, destacando que cidades menores devem receber cerca de R$ 5 milhões.

Prefeitos pedem mais liberdade no uso dos recursos

Apesar da injeção de recursos, gestores municipais defendem maior flexibilidade para utilização dos valores. O presidente da Amupe, Pedro Freitas, argumenta que as regras atuais podem limitar o impacto imediato.

A proposta em discussão prevê que até 30% dos recursos possam ser utilizados livremente, inclusive para despesas emergenciais e pagamento de dívidas.

Repercussão nos municípios

O anúncio foi recebido com expectativa de investimentos locais. Em Rio Formoso, o prefeito Berg de Hacker confirmou a destinação de R$ 6 milhões para saneamento.

Já em Jaboatão dos Guararapes, o prefeito Mano Medeiros anunciou R$ 58 milhões em investimentos.

Outros gestores, como Pité e Cátia Ribeiro, também destacaram o potencial da medida para melhorar infraestrutura, saúde e qualidade de vida.

Alerta sobre impacto futuro

Apesar do entusiasmo, há vozes críticas sobre o modelo adotado. O ex-prefeito de Itaquitinga, Geovani Oliveira, avalia que o investimento tende a ser repassado ao consumidor ao longo do tempo.

Segundo ele, o contrato de longo prazo garante segurança aos investidores, mas pode resultar em aumento gradual nas tarifas de água e esgoto.

O alerta reforça a necessidade de acompanhamento por órgãos de controle, como o Tribunal de Contas, para garantir a correta aplicação dos recursos e os benefícios esperados para a população.

Veja na tabela abaixo as estimativas, que alguns municípios do Agreste irão receber:

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